Violência de gênero ganha destaque em encontro formativo com jovens da Escola Municipal Levindo Coelho

Jovens da Escola Municipal Levindo Coelho participaram de dinâmicas e discussões ligadas ao tema da violência.

Jovens da Escola Municipal Levindo Coelho participaram de dinâmicas e discussões ligadas ao tema da violência.

Vinte meninos e meninas moradores do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, participaram do segundo encontro formativo da campanha “Juventudes contra Violência”. A atividade foi realizada na última terça-feira, 22/10, na Escola Municipal Levindo Coelho, e teve como objetivo sensibilizar os participantes sobre o problema da violência. O encontro contou com dinâmicas, jogos e proposições que incentivaram os jovens a compartilhar suas impressões e vivências em relação ao assunto. Os estudantes também foram apresentados à campanha e convocados a atuarem como multiplicadores junto a seus amigos, família e comunidade.

Os participantes trouxeram à discussão diversos tipos de violência vivenciados na escola e na comunidade, como a homofobia e o bullying. Ganhou destaque, no entanto, a violência de gênero, especialmente contra a mulher. Palavras e expressões como abuso de menores, violência sexual e estupro foram recorrentes. “O sexo é uma agressão a partir do momento em que você não queira fazer”, definiu uma das jovens. Outros ressaltaram as consequências para os violentados: “depois do estupro, a pessoa não vai ser a mesma”, “depois disso, na escola, ela vai sofrer mais”.

As origens dessa violência também foram debatidas pelos jovens: “muitas vezes, os casos de abuso sexual acontecem dentro de casa”, afirmou uma das presentes. Além disso, foram relatados casos de abuso de crianças por parte de seus padrastos, que não raro também expõem as companheiras à violência física e psicológica.

Ainda que todas as pessoas estejam suscetíveis à violência de gênero, os jovens foram unânimes em afirmar que as mulheres estão mais expostas a ela. “Muitas têm medo das ameaças que sofrem”, afirmou um dos participantes. Outra jovem ressaltou a dificuldade que o violentado enfrenta para compartilhar essa situação: “demora você adquirir confiança e contar isso a alguém”.

Participação escolar

Criada em 1971, a Escola Municipal Levindo Coelho está localizada no bairro Serra, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Das vilas que compõem o Aglomerado da Serra, especialmente da Vila Marçola, chegam os 1300 estudantes da escola, que se distribuem pelo Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Segundo a vice-diretora da escola, Lorena Mayorga, manifestações de violência física e verbal, principalmente aquelas ligadas a gênero e orientação sexual, são comuns na instituição. “A questão do tráfico também se coloca pra nós; vemos os meninos se envolvendo cada vez mais cedo nessa teia”, acrescenta Lorena.

Outra dificuldade observada pela vice-diretora se expressa na relação entre professores e alunos, devido às vivências culturais muito distintas de ambos. Com vistas a contribuir para a melhoria do clima escolar, desde 2009 a Levindo Coelho tem buscado fomentar a criação de espaços de participação, diálogo e promoção da cidadania, envolvendo alunos, funcionários, professores e família. Lorena explica que dois projetos foram fundamentais nesse sentido: um deles foi o “Cidadania em Ação”, realizado em parceria com o grupo de Psicologia Social do Departamento de Psicologia da UFMG. A partir de um mapeamento dos principais problemas da escola, foram construídas diferentes frentes de trabalho, formadas por representantes de diversos segmentos da comunidade escolar. Rodas de conversa, dinâmicas e seminários propiciavam espaços de formação e discussão dos temas mais sensíveis à escola.

Outra iniciativa importante, já em 2012, foi a participação em um projeto ligado à prática da mediação de conflitos, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). “Selecionou-se um grupo de alunos do terceiro ciclo com perfil de liderança, e a ideia era que esses estudantes, a partir de uma reflexão sobre o que queriam da escola, pudessem construir uma cartilha: como a escola vai lidar com essa situação de violência?”, descreve Lorena. A PBH, no entanto, não deu continuidade ao projeto em 2013. Por sua vez, a escola segue investindo na formação um grêmio estudantil e uma associação de pais. Veja mais fotos do encontro em nossa página do Facebook.

A campanha

“Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas.

A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum. Durante a segunda quinzena de outubro e todo o mês de novembro, pelo menos dezoito escolas e espaços comunitários de Belo Horizonte e Região Metropolitana acolherão os encontros formativos da Campanha.

Em 2013, o Fórum das Juventudes conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.