Um relato sobre a manifestação de 17 de junho em BH

Um relato sobre a manifestação de 17 de junho em BH

por Leonardo Fernandes
Jornalista e integrante do Fórum das Juventudes da Grande BH

Cerca de 30 mil pessoas tomaram as ruas da cidade

Cerca de 30 mil pessoas tomaram as ruas da cidade

A manifestação da segunda-feira, 17 de junho, começou por volta das 13h na Praça Sete de Setembro, no centro da capital mineira. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas marcharam por mais de sete quilômetros de maneira pacífica. Os manifestantes carregavam cartazes que pautavam diversas lutas, desde a gratuidade no transporte público, a redução das tarifas de ônibus, a qualidade de educação para todos, direito ao espaço público, ou questões relacionadas à organização das copas das Confederações e do Mundo.

A marcha, ocorrida de maneira espontânea e com adesão de diversas organizações, foi mais um ponto de encontro de diversas reivindicações e uma demonstração de força dos movimentos sociais e da juventude organizada para fazer-se escutar, quando as prioridades políticas dos representantes em geral têm se afastado cada vez mais das necessidades do povo. A realização da Copa das Confederações e as altamente custosas obras para a Copa do Mundo foram o estopim para uma série de questionamentos. E é a partir desta realidade que surgem os debates. Um movimento amplamente jovem, puxado pela juventude.

A primeira barreira da Polícia Militar tentou impedir o avanço da manifestação em um local ainda distante do perímetro “estabelecido” pela FIFA como espaço de segurança sensível. Depois de alguns minutos de negociação, a Polícia liberou a caminhada até as portas da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – onde já estava montada uma nova barreira. Em determinado momento, os policiais começaram a disparar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra a manifestação pacífica. Várias pessoas feridas por balas de borracha, inúmeras afetadas pelo efeito do gás lacrimogêneo e um verdadeiro cenário de caos foi o resultado da ação da Polícia Militar de Minas Gerais.

Ação truculenta da Polícia Militar criou situação de pânico e feriu vários manifestantes

Ação truculenta da Polícia Militar criou situação de pânico e feriu vários manifestantes

Depois da desproporcional violência da PM, a passagem da marcha era liberada, enquanto outra barreira já ia sendo formada nas proximidades do Mineirão, na Av. Abrahão Caram, onde a manifestação se manteve por alguns minutos. Quando os manifestantes decidiram voltar à Av. Antônio Carlos, todo o arredor da Pampulha estava cercado pela Polícia, que começou a perseguir os ativistas pela Av. Antônio Carlos durante mais de duas horas, aterrorizando os presentes, a maioria jovens.

Segundo reportagem do jornal Estado de Minas desta terça-feira, a Polícia Militar argumentou que havia reagido à ação dos manifestantes, mas não comentou os excessos da força pública e a incapacidade de lidar com manifestantes pacíficos, cujo único objetivo era colocar em evidência suas necessidades e exigir que o Estado e a classe política que o governa respondam a todas essas questões.

Durante a manifestação, foi possível ouvir jovens que denunciavam que a violência praticada pela Polícia Militar de Minas Gerais contra os manifestantes é a mesma praticada todos os dias contra a juventude das comunidades pobres do país, em total desrespeito à livre expressão.

Pela possibilidade de se expressar, por respeito, autonomia, justiça, pelo direito à diferença, à liberdade, à dignidade e à memória, o Fórum das Juventudes levou a campanha Juventudes contra Violência para as ruas, junto às atividades populares em Belo Horizonte.

Pelo fim das violações dos direitos juvenis, campanha Juventudes contra Violência foi levada à manifestação

Pelo fim das violações dos direitos juvenis, campanha Juventudes contra Violência foi levada à manifestação

A jornada de protestos terminou com um grupo de pessoas reunido novamente na Praça Sete, ponto de partida da manifestação. Um dia de luta com sabor a começo.