Rolezinho Cultural ocupou escola em Sarzedo, na Grande BH

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A escola está aberta no domingo à tarde e vários adolescentes e jovens ocupam a quadra com competições de slackline e partidas intermináveis de futebol. Algumas pessoas preferem folhear livros, revistas, fanzines e outras publicações independentes que estão expostas pelo ambiente. Ler uma poesia no varal ou admirar os desenhos afixados na parede também é uma opção. Durante aquela tarde, que é parte do mês da Consciência Negra, acontece bate-papo sobre religiões de matriz africana, apresentações de breakdancing, rap e funk consciente e intervenções de poesia marginal, o Nosso Sarau. Para o lanche, há bebidas, biscoitos, pipoca e um acarajé delicioso ao final do dia.

IMG_3554O cenário não é apenas a típica escola dos sonhos de muita gente. Foi assim que o Rolezinho Cultural reuniu na Escola Estadual José Pereira dos Santos, em Sarzedo, mais de 70 jovens do município e também outros vindos de Santa Luzia e Belo Horizonte. A atividade foi organizada pelo coletivo NOSSO SARAU e faz parte de um processo formativo realizado pelo Fórum das Juventudes da Grande BH. Além do Nosso Sarau, atuante em Sarzedo, participam da jornada o grupo de hip hop Mafiossos, de Santa Luzia, e um núcleo juvenil da Ocupação Dandara, na capital mineira.

Debate + Dança + Música + Poesia

A ialorixá Mona Sinangue foi uma das convidadas mais aguardadas do dia. Atuante no candomblé há mais de três IMG_3585décadas e hoje responsável por um terreiro em Mateus Leme, Mona contou às/aos participantes um pouco sobre sua trajetória na religião e suas vivências como mulher negra envolvida com política. A conversa também suscitou um debate acalorado sobre ações afirmativas, especialmente as cotas raciais.

Na sequência, integrantes do Grupo Mafiossos atraíram todos os olhares pra si com passos magistrais de breakdancing no refeitório da escola. Formado há mais de dois anos em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o grupo se dedica à vivência e à disseminação da cultura hip hop no município, especialmente do break.

IMG_3508Outra intervenção de peso foi a parceria entre os MCs Diego, de Sarzedo, e os MCs Dijin e RD, da Comunidade Dandara, em BH, que mandaram letras autorais de funk consciente. O esperado microfone aberto do Nosso Sarau encerrou os trabalhos do dia, ressoando poesias e textos de autoria própria.

Jornada formativa

O processo formativo realizado pelo Fórum junto aos coletivos Nosso Sarau e Mafiossos e a um núcleo juvenil da Comunidade Dandara envolve discussões sobre identidades, formas de ocupação da cidade, articulação de redes e estratégias para potencializar a ação coletiva dos grupos. Todos esses temas estão articulados ao enfrentamento à violência contra as juventudes, a partir dos conteúdos da plataforma política Juventudes contra Violência, lançada pelo Fórum em agosto de 2014.IMG_3680

Além de participarem de formações, os grupos prepararam uma vivência para os outros dois núcleos integrantes da jornada. Apelidados de rolezinhos, os encontros acontecem nos territórios em que vivem/atuam esses grupos e foram abertos à participação de outras pessoas. A primeira intervenção, AME, aconteceu em Santa Luzia no dia 31 de outubro, sábado. Em 7 de novembro, domingo, o coletivo Nosso Sarau promoveu o Rolezinho Cultural, em Sarzedo, na Grande BH.

Nosso Sarau

O grupo atua há mais de um ano nas ruas de Sarzedo, município da Grande BH, com a proposta de reunir jovens artistas locais por meio da declamação de textos, de performances artísticas e da vivência em skate, slackline e outras formas de ocupação do espaço público. Ao final dos encontros, o Sarau também promove sorteios e empréstimos de livros, a fim de incentivar o hábito da leitura junto aos/às participantes. A troca de ideias é outro ponto forte do grupo, que tem estimulado as juventudes participantes a debaterem sobre temas que afetam diretamente suas vidas, inclusive em espaços formais de participação, como conferências, conselhos de juventude e audiências públicas na Câmara Municipal. A Praça da Estação e a pista de skate da cidade são os principais pontos de encontro do grupo, que também frequenta espaços de cultura, lazer e sociabilidade em outras cidades da Região Metropolitana.

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