Projovem Adolescente de Rio Acima participa de encontro formativo da campanha “Juventudes contra Violência”

Participantes são atendidos pelo Projovem Adolescente de Rio Acima.

Participantes são atendidos pelo Projovem Adolescente de Rio Acima.

Integrantes do Projovem Adolescente de Rio Acima, cidade da Região Metropolitana a 34 km de Belo Horizonte, também acolheram mais um dos encontros formativos da campanha “Juventudes contra Violência”. A atividade aconteceu na manhã da sexta-feira, 25 de outubro, na sede da Secretaria Municipal de Educação de Rio Acima, e reuniu jovens com idade entre 14 e 20 anos. Além deles, o encontro também contou com a participação de profissionais do Projovem, cujas atividades acontecem no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município. A proposta dos encontros é sensibilizar jovens sobre o problema da violência, entendida pelo Fórum como negação de direitos e um grave obstáculo ao desenvolvimento da população jovem brasileira.

Em um dos primeiros momentos do encontro, foi pedido que os participantes registrassem em tarjetas palavras ou expressões que lhes viessem à mente quando o assunto é violência. Além das diferentes formas de manifestação desse fenômeno – como brigas, racismo, bullying e violência sexual – os jovens mencionaram suas consequências para o sujeito violentado: o isolamento, o trauma e a dor. A sutileza e a naturalização de algumas formas de violência também foram lembradas: “escrevi a palavra ‘silenciosa’ porque, muitas vezes, a gente acha que a violência precisa se manifestar como um ato, mas nem sempre é assim”, pontuou um dos presentes.

Apontada com frequência durante as discussões, outra forma recorrente de violência é aquela que ganha corpo no ambiente escolar, incluindo os diferentes tipos de bullying. “A violência vai para além da agressão física; ela acontece por gestos e palavras também. No bullying, por exemplo, nem sempre se chega à agressão”, realçou um dos jovens. Outros apontaram que especialmente as meninas têm sido as responsáveis pelas brigas no interior da escola, e elas que estariam “gostando” de apanhar. Os educadores buscaram desconstruir essas e outros discursos de banalização e naturalização da violência, sob o argumento de que nenhum ato violento deve ser justificado.

Frente a informações e estatísticas sobre homicídios entre a população jovem no país, os adolescentes reconheceram que são necessárias políticas públicas articuladas para enfrentar esse problema. Também disseram que segurança pública não é resultado somente de um aumento do efetivo policial presente nas ruas, por exemplo. Ao final do encontro, os educadores apresentaram e distribuíram materiais da campanha “Juventudes contra Violência”, convidando os jovens a serem seus multiplicadores junto a seus familiares, amigos e comunidade.

Convivência familiar e comunitária
Um dos quatro eixos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens, do Governo Federal, o Projovem Adolescente se volta ao fortalecimento da convivência familiar e comunitária e ao retorno e/ou permanência do adolescente no sistema educacional. São atendidos jovens com idade entre 15 e 17 anos, geralmente em situação de vulnerabilidade social e cujas famílias sejam beneficiárias do Programa Bolsa Família.

A assistente social e coordenadora de projetos do CRAS de Rio Acima, Michele Rose da Silva, explica que as atividades ofertadas pelo Projovem no município abordam temas ligados à saúde, ao esporte e à educação, a depender das demandas apresentadas pelos jovens. A adesão ao Programa é feita de forma espontânea ou através de busca ativa por parte dos profissionais, com base no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal ou no estudo das situações registrados no CRAS. “Casos como violência psicológica e negligência da família nós identificamos, mas há um órgão responsável por acompanhar a demanda. Acreditamos que, com o avançar do serviço social por meio das oficinas e dos serviços de convivência, essas questões [relativas a violações de direitos] vão se aclarar mais”, comenta Michele.

A campanha
“Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas. A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum.

Em 2013, o Fórum conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.