Mais de 35 atividades na RMBH discutiram a plataforma política Juventudes contra Violência

Batalha de rimas na Escola Estadual Dom Bosco, que discutiu o direito à cidade com os/as estudantes com grupos de rap convidados.

Batalha de rimas na Escola Estadual Dom Bosco, que discutiu o direito à cidade com os/as estudantes com grupos de rap convidados.

Saraus, rodas de conversa, cineclubes e palestras. Festivais, workshops e oficinas temáticas. Entre agosto e dezembro do ano passado, foram realizadas 36 atividades formativas ligadas à plataforma política Juventudes contra Violência, a maioria delas em diferentes regionais de Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Parceiros do Fórum na Bahia, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro também realizaram encontros vinculados à Plataforma. Mais de 1200 adolescentes e jovens participaram dos encontros, que contaram, ainda, com a presença de trabalhadoras/es da saúde, educação e assistência social.

As atividades foram realizadas por grupos, coletivos e organizações da sociedade civil, de universidades e ligados a programas públicos de atendimento a jovens, em seus respectivos territórios de atuação. Todos os encontros dialogaram com algum/ns dos eixos programáticos da plataforma política Juventudes contra Violência, que estabelece 10 pautas prioritárias para o enfrentamento à violência contra as juventudes.

A metodologia e o tema das atividades variaram conforme a atuação cotidiana dos grupos. Saraus, por exemplo, realizaram encontros temáticos pautando o Direito à Cidade, em sintonia com a ocupação permanente que realizam nos espaços urbanos. O eixo Políticas Sociais, que inclui discussões sobre educação e políticas afirmativas, foi discutido junto a estudantes de diferentes instituições de ensino superior. Já o Enfrentamento ao Genocídio da Juventude Negra, devido à gravidade extrema do assunto, foi discutido na maioria das atividades.

Após testemunhar falas e atitudes discriminatórias entre estudantes dos cursos de Relações Públicas e Publicidade e Propaganda do Centro Universitário UNA, campus Liberdade, a professora universitária Carol D’Alessandro propôs uma atividade formativa sobre preconceito, discriminação e políticas afirmativas, temas contemplados no eixo Políticas Sociais da plataforma. Ela conta que a maioria desses comportamentos eram reproduzidos sob a forma de “brincadeiras” ligadas a raça e gênero, o que evidencia o quanto essas práticas ainda estão arraigadas socialmente. “A atividade repercutiu também na aula seguinte, com outros relatos pessoais e troca de ideias; algumas pessoas choraram. Ficou claro que esse tipo de atitude não seria mais tolerado”,  avalia Carol.

Um Novo Modelo de Política sobre Drogas e um Novo Modelo de Segurança Pública e Desmilitarização das Polícias são outros eixos programáticos da plataforma também discutidos durante as jornadas formativas.

fjp

Workshop com estudantes da Fundação João Pinheiro, que discutiu Políticas Sociais e Ações Afirmativas.

Todas as atividades tiveram o suporte metodológico de integrantes do Fórum das Juventudes, especialmente de sua Secretaria Executiva, por meio de encontros presenciais, telefonemas e constantes trocas de e-mails. “Procurávamos, ao mesmo tempo, estabelecer parcerias e fortalecer a rede”, comenta Júlia Marinho, integrante do Observatório da Juventude da UFMG e da Secretaria Executiva do Fórum. A maioria dos encontros contou, também, com a presença de integrantes do Fórum.

“É um desafio muito grande mobilizar permanentemente a rede da qual fazemos parte. A descentralização dos debates sobre a Plataforma permitiu a apropriação dos debates por parte de vários grupos. Também multiplicou as vozes em torno do tema; gerou conflitos, mas também convergências… Além disso, os grupos nos trazem outras linguagens e metodologias e mobilizam outras redes que não alcançamos”, reflete Júlia.

Confira, abaixo, um mapa com os locais onde foram realizadas as atividades formativas entre agosto e dezembro do ano passado. Alguns deles receberam mais de um encontro. Clique em cada um dos pontos para acessar fotos e notícias dos encontros!

Sobre a Plataforma

Lançada em agosto deste ano e fruto de um intenso processo colaborativo entre grupos, coletivos e movimentos atuantes no campo das juventudes e direitos humanos, a plataforma política Juventudes contra Violência estabelece 10 pautas prioritárias para que sociedade civil e governos possam se comprometer com o enfrentamento às violações de direitos contra as juventudes. São propostas que buscam assegurar o desenvolvimento integral dos/as mais de 52 milhões de jovens brasileiros/as com dignidade e cidadania. Conheça a plataforma: www.juventudescontraviolencia.org.br/plataformapolitica

Grupos, coletivos e organizações da sociedade civil em todo o país podem seguir realizando atividades livres que dialoguem com os conteúdos da plataforma! São bem-vindos debates, seminários, rodas de conversa, batalha de rimas, saraus e outras formas criativas de estimular o debate em torno dos eixos programáticos. Clique aqui para acessar um roteiro: http://migre.me/ma9Dm

coreu

Roda de conversa na Escola Estadual Coração Eucarístico, que discutiu o Enfrentamento ao Genocídio da Juventude Negra e o Direito à Cidade.