Lançamento oficial do Centro de Referência da Juventude de BH: conheça outra história

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Cartazes utilizados pelo Fórum em iniciativas de mobilização juvenil em Belo Horizonte. As reivindicações escritas sobre as silhuetas, em especial, são resultado de ações junto a jovens de BH, dias antes da audiência pública que discutiu o CRJ.

Na última segunda-feira, 2 de julho, a Prefeitura de BH oficializou publicamente parceria com o Governo de Minas para a construção do Centro de Referência da Juventude (CRJ) de Belo Horizonte. O protocolo de intenções foi assinado na sede da PBH e, segundo informações oficiais, contou com a presença do governador do estado, Antônio Anastasia, e do subsecretário de estado da Juventude, Gabriel Azevedo. De acordo com notícia do site da PBH, as obras estão orçadas em 15 milhões de reais e devem se iniciar no próximo ano, ao lado da Praça da Estação de BH.

O que a matéria jornalística não aponta são os intensos conflitos que existem por trás da implantação do CRJ. Desde o anúncio do projeto, em agosto do ano passado, até seu lançamento oficial na semana passada, o Fórum das Juventudes da Grande BH protagonizou importantes episódios de embate com o poder público municipal. Nossas principais críticas a esse processo se baseiam na ausência de uma participação social efetiva, além da inexistência de um diagnóstico participativo e um projeto conceitual que orientem a construção desse equipamento público. Acreditamos que, por si só, o CRJ não é nem pode representar a política do município para as juventudes.

Veja abaixo uma linha do tempo sobre esse processo:

Maio de 2006: na I Conferência Municipal de Juventude, movimentos e grupos juvenis de Belo Horizonte demandam um Centro de Referência da Juventude. A construção de um CRJ consta no documento final de propostas da Conferência.

Agosto de 2011: em almoço restrito na Prefeitura, com a participação de representantes de movimentos e grupos juvenis de BH convidados, o prefeito Marcio Lacerda anuncia a intenção de construir o Centro de Referência da Juventude. É apresentado, somente, o projeto arquitetônico do espaço. Representantes dos movimentos questionam a real necessidade de alguns dos elementos projetados para o equipamento, como muro de rapel e minifloresta.

Setembro de 2011: durante a mesa de abertura da II Conferência Municipal de Juventude, o então gerente do Centro de Referência da Juventude da PBH, André Rubião, anuncia um dossiê que conteria as políticas públicas de juventude no município. O documento nunca foi publicizado.

*Atualização: o documento acima mencionado foi publicizado três anos depois, já em 2014 (acesse aqui o Guia da Juventude).

Outubro de 2011: por diversas vezes, o Fórum das Juventudes solicita à Gerência do CRJ o projeto conceitual desse equipamento público. A Prefeitura alega que o único documento existente para o CRJ é a planta arquitetônica apresentada durante o almoço de agosto.

O presidente da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara dos Vereadores de BH, Arnaldo Godoy, solicita uma audiência pública para discutir o projeto do CRJ. A representante do Fórum das Juventudes, Áurea Carolina, lê carta aberta do Fórum, em que critica o processo de implantação do CRJ. Frente a um auditório lotado, o secretário de Políticas Sociais da PBH, Jorge Nahas, reconhece que não existe um projeto conceitual para o CRJ. É pactuada uma comissão paritária para discutir e acompanhar a execução do projeto do CRJ, composta por membros da PBH e de entidades e movimentos juvenis de Belo Horizonte.

– Novembro de 2011: o Fórum das Juventudes da Grande BH participa de duas reuniões da comissão paritária, em que ficou clara a ingerência do Governo de Minas sobre todo o processo de construção do CRJ. Além disso, houve adulteração de uma ata e foi forjada uma eleição de organizações da sociedade civil para a permanência no grupo. Após deliberações internas, o Fórum decide se retirar da Comissão e divulga a carta aberta “Por uma cidade amiga da juventude, com cidadania e dignidade”, na qual denuncia todas as arbitrariedades do processo. A carta ganha grande repercussão entre os grupos juvenis.

– Maio de 2012: André Rubião é exonerado do cargo da Gerência do Centro de Referência da Juventude. Júlio Jader é nomeado o novo gerente do CRJ.

– Junho de 2012: a Gerência do CRJ solicita, informalmente, uma reunião com o Fórum das Juventudes da Grande BH, que, diante do atropelo de todo o processo e da proximidade das eleições municipais, avaliou ser conveniente não realizar tal encontro. Tendo em vista o atual cenário, acreditamos que não existem condições saudáveis para uma conversa com a Prefeitura em 2012, sob o risco de as ações poderem receber um carimbo de legitimação de um ou outro candidato.

Julho de 2012: a PBH oficializa parceria com o governo do estado para a construção do CRJ, durante evento fechado.