Jovens da Escola Municipal Oswaldo Cruz manifestam preocupação com a violência homicida

Estudante da E. M. Oswaldo Cruz analisa charge ligada à violência.

Estudante da E. M. Oswaldo Cruz analisa charge ligada à violência.

A Escola Municipal Oswaldo Cruz, na região Oeste de Belo Horizonte, foi a primeira participante da série de encontros formativos da campanha “Juventudes contra Violência”. Cerca de vinte estudantes com idade entre 11 e 16 anos participaram da atividade, que buscou sensibilizá-los para diferentes formas da violência em seus cotidianos. A partir de dinâmicas, jogos e proposições, os educadores estimularam os jovens a compartilhar suas impressões e vivências em relação ao assunto e, também, apresentaram estatísticas relativas à incidência do fenômeno em Belo Horizonte, Minas Gerais e no Brasil. Outro momento importante foi a apresentação e a distribuição de materiais da campanha, convidando os jovens a serem multiplicadores junto a seus familiares, amigos e comunidade. O encontro foi realizado na manhã do dia 21 de outubro.

A violência homicida foi mencionada com frequência nos relatos e opiniões dos jovens. Em um dos momentos do encontro, foi pedido que os participantes registrassem em tarjetas palavras ou expressões que lhes viessem à mente quando o assunto é violência, e termos como morte, matar, tiro e sangue apareceram em várias delas. “Escolhi ‘morte’ porque isso passa todos os dias no jornal”, justificou um dos jovens. “Na Savassi não tem briga nem morte”, manifestou outra jovem, em referência a uma das regiões consideradas mais nobres de Belo Horizonte. Outro participante argumentou, no entanto, que o fenômeno parece generalizado: “na minha opinião, nenhum lugar está calmo”.

Outras dimensões da violência também foram debatidas ao longo do encontro, especialmente aquelas ligadas ao preconceito e ao bullying. A maioria dos incômodos apresenta relação com o ambiente escolar. Alguns jovens descreveram a escola como um lugar “todo errado” e cheio de regras, enquanto outros reconheceram que a escola é feita de pessoas e precisa da participação de alunos e professores.

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Plano de ação

Localizada no bairro Jardim América, a E. M. Oswaldo Cruz (EMOC) atende cerca de 1200 alunos, distribuídos entre os turnos da manhã, tarde e noite. Os estudantes são oriundos, principalmente, de aglomerados urbanos próximos, como a Vila Ventosa, a Vila Leonina e o Morro das Pedras. “O contexto em que a escola se situa é de grande vulnerabilidade social, com alto índice de violência e conflitos das mais diversas naturezas”, descreve a professora de português do ensino fundamental e coordenadora pedagógica do terceiro ciclo do segundo turno da EMOC, Eliane Cruz.

Uma das apostas da escola para lidar com esse fenômeno é a formação e mobilização de um conselho de representantes de turmas, tendo como principal eixo de trabalho a melhoria do clima escolar. Na pauta das discussões com os jovens, estão, principalmente, os direitos da infância e adolescência, cuja principal referência hoje é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8069/90). O conselho é uma das ações previstas no Plano de Ação para a Melhoria da Convivência Escolar, construído a partir de encontros realizados no segundo semestre de 2012, que envolveram estudantes, professores, familiares e membros da comunidade local.
Eliane Cruz aponta que a violência se manifesta de diferentes formas no ambiente escolar, como em situações de bullying e em comportamentos verbais agressivos por parte dos alunos. O entorno da escola também não está isento de conflitos. “Essa é a realidade que eles conhecem, e a escola se torna um pouco a reprodução do dia a dia que os estudantes vivenciam lá fora”, argumenta Eliane. Em seu ponto de vista, para que situações como essas sejam dirimidas, outros direitos sociais básicos devem ser assegurados para além da educação de qualidade. “Precisamos de ações que mudem o status quo dessas pessoas”, pontua.

 

A campanha

Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas. A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum.

Durante a segunda quinzena de outubro e todo o mês de novembro, pelo menos dezoito escolas e espaços comunitários de Belo Horizonte e Região Metropolitana acolherão os encontros formativos da campanha. Em 2013, o Fórum das Juventudes conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.