Homofobia dá o tom de encontro formativo na Escola Estadual General Carneiro

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Ao fim das atividades, jovens da E. E. General Carneiro construíram coletivamente um conceito de violência.

Os encontros formativos da campanha Juventudes contra Violência chegaram também à Região Metropolitana de Belo Horizonte. Localizada em Sabará, cidade a 20 km de BH, a Escola Estadual General Carneiro foi o primeiro espaço fora da capital a acolher o encontro. A atividade aconteceu na manhã da quarta-feira, 23 de outubro, e reuniu vinte e sete estudantes dos ensinos fundamental e médio, com idade entre 15 e 23 anos. A partir de dinâmicas, proposições e discussões mediadas, a proposta dos encontros é sensibilizar os jovens para o fenômeno da violência, além de convocá-los para atuarem como multiplicadores da campanha junto a seus familiares, amigos e comunidade.

Além de terem associado a violência com agressão física e morte, suas faces mais visíveis, os jovens ressaltaram que o preconceito também é uma atitude violenta. “Há o preconceito com o gosto musical das pessoas; se é preto e escuta rap, é malandro; se é branco e escuta pop, é ‘viado’”, exemplificou um dos jovens. Em pauta, a discriminação racial, por gostos pessoais e, sobretudo, por orientação sexual, tanto dentro como fora do ambiente escolar. “Não se tem respeito pela opção (sic) sexual da pessoa; se ela gosta, o problema é dela. Se eu fosse lésbica, diria às pessoas: gosto mesmo, isso é problema meu!”, afirmou uma jovem. Embora tenham reconhecido a necessidade de respeito às diferentes formas de manifestação da sexualidade, vários jovens se posicionaram inicialmente contrários à igualdade de direitos para a população LGBT, especialmente no que diz respeito ao casamento igualitário e às manifestações públicas de afeto entre casais homossexuais. Muitas das opiniões foram embasadas em argumentos religiosos.

“Já passou pela cabeça de vocês, por exemplo, que algumas pessoas não escolhem a mesma religião que vocês?”, questionou uma das educadoras. Com essa e outras perguntas provocativas, os educadores levaram os estudantes a refletirem sobre a liberdade de crença e o respeito à diversidade. Um dos participantes disse: “temos que nos colocar no lugar do outro. Quando se quer ser uma coisa e todo mundo fica te apontando com o dedo, é muito difícil”. Ao longo do encontro, os presentes também destacaram que a omissão do Estado na oferta de políticas públicas básicas – como saúde, educação e emprego – é outra forma de violência. “O Estado é violento quando me nega o trabalho”, ressaltou um dos jovens. Para outro, “o governo comete violência quando promete e não cumpre”.

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Conceito
Após discussões intensas e instigados pelos educadores, os jovens participantes elaboraram em grupo um conceito de violência e o afixaram na parede da sala de aula: O racismo leva à morte, à falta de amor próprio, dá revolta, pois isto é um absurdo. A agressão verbal também leva à morte. O texto também chamou atenção para o problema da pedolifia e fez um apelo: Isso tudo pode mudar! Basta você saber agir e lidar com os tipos de violência. Paz, amor e alegria”.

A Escola
A Escola Estadual General Carneiro está localizada no bairro Vila Rica, em Sabará. Fundada em 1989, a instituição oferece os ensinos fundamental e médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA) a aproximadamente 1500 estudantes, em sua maioria vindos de bairros vizinhos. A assistente técnica de educação básica da escola no turno da manhã e moradora da região, Renildes Alves dos Santos, afirma que a localidade é conhecida na cidade por seus altos índices de violência. “Aqui, os jovens ou desafiam a violência para ter uma vida digna ou acabam entrando junto dela, principalmente em relação às drogas”, lamenta Renildes.

No ambiente escolar, a funcionária relata que uma das formas mais comuns de violência é o bullying, principalmente aquele ligado à homossexualidade. Ela comenta, também, que a rede de serviços públicos e projetos sociais na cidade parece ter melhorado um pouco a situação de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. “Nosso maior desafio é convencê-los a frequentarem as aulas e mostrar a importância da educação na vida deles”, afirma. Renildes conta que a escola tem se esforçado para resolver eventuais problemas junto aos próprios estudantes, antes de encaminhá-los a equipamentos sociais como o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) e o Conselho Tutelar.

A campanha
“Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas. A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum.

Durante a segunda quinzena de outubro e todo o mês de novembro, pelo menos dezoito escolas e espaços comunitários de Belo Horizonte e Região Metropolitana acolherão os encontros formativos da Campanha. Em 2013, o Fórum conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.