Fórum vai participar da 3ª Conferência Nacional de Juventude

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Entre os dias 2 e 4 de outubro, aconteceu a 4ª Conferência Estadual de Juventude de Minas Gerais no Hotel Tauá, em Caeté, município da Grande BH. Por meio de delegadas eleitas em etapas municipais da conferência, o Fórum participou ativamente de todo o evento.

A tarde do primeiro dia foi dedicada a uma mesa de debates com o sociólogo Rudá Ricci e o professor Juarez Dayrell, um dos coordenadores do Observatório da Juventude da UFMG e também integrante do Fórum. Juarez chamou a atenção para o processo histórico de implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente e afirmou que a conferência é um espaço importante para fomentar a cultura de participação das/os jovens, mas questionou se ela é a melhor forma ou modelo de participação juvenil. Além disso, o professor trouxe reflexões importantes sobre o Centro de Referência da Juventude (CRJ) de BH e destacou a importância da mobilidade urbana para as juventudes, principalmente levando em conta o cenário atual do transporte coletivo em Belo Horizonte. Outro ponto fundamental realçado por Juarez foi o genocídio da juventude negra no país, cujo enfrentamento demanda esforços articulados em nível local, estadual e nacional.

Rudá Ricci, por sua vez, traçou um perfil das juventudes brasileiras nos últimos três anos, com foco nas formas de participação social. Para ele, 2013 foi marcado pela saída às ruas por segmentos progressistas da juventude; em 2014, houve sucessivas violações do direito à manifestação da população jovem. Já em 2015, Ricci considera que tem surgido nas ruas um segmento político da juventude de caráter “fascista”, cujas pautas defendidas são tipicamente conservadoras.

Contradições

Ainda no primeiro dia, durante a abertura oficial da conferência, o governador Fernando Pimentel afirmou que casos de abuso policial deveriam ser reportados a ele pela própria juventude. O governador, no entanto, pareceu se esquecer de episódios graves de repressão policial ocorridos no estado este ano, especialmente durante a manifestação contra o aumento das passagens realizada na capital em 12 de agosto. Na ocasião, a Polícia Militar reprimiu violentamente o ato, o que resultou em dezenas de jovens feridos e detenções abusivas. No dia seguinte, em entrevista a um jornal de Belo Horizonte, Pimentel legitimou a ação violenta da PM. No final da sua fala, o governador disse que estava ali para escutar as demandas juvenis. Entretanto, foi embora antes mesmo do fim das discussões.

Propostas

No sábado e no domingo, as integrantes do Fórum presentes na conferência defenderam propostas priorizadas pelo Fórum nos grupos de discussão, tendo como base a plataforma política Juventudes contra Violência, lançada em 2014. Diversas demandas contaram com a adesão dos jovens participantes, como a de que os conselhos de juventude sejam deliberativos e não apenas consultivos; o fim da cláusula de restrição por idade no sistema político para a representação nos Legislativos estadual e nacional e a proposta de criação de cotas para jovens em espaços de representação política – já que, atualmente, menos de 7% de jovens com até 35 anos estão no Parlamento. No entanto, propostas como a de radicalização da participação juvenil no Conselho Estadual de Juventude, por exemplo, não foram aprovadas, o que evidencia que o campo político da juventude também é disputado por setores conservadores.

Durante a plenária final, a integrante do Fórum e do Observatório de Juventude da UFMG, Thamires Duarte, foi eleita delegada para a etapa nacional da Conferência de Juventude, que acontecerá entre os dias 16 e 20 de dezembro, em Brasília.

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