Fórum realiza formação com orientadores/as sociais do Projovem Adolescente em BH

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Culturas juvenis, violações de direitos e políticas públicas foram temas discutidos pelos/asorientadores/as sociais do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Adolescentes e Jovens de 15 a 17 anos (Projovem Adolescente) de Belo Horizonte entre os últimos 4 e 6 de março. Os encontros foram realizados na sede do Programa Arena da Cultura, no Edifício Central, e buscaram estimular reflexões sobre a prática cotidiana desses/as educadores/as e contribuir para o fortalecimento de sua atuação profissional. A formação é resultado de uma parceria entre o Fórum das Juventudes e o Projovem, que inclui também a realização de oficinas junto aos/às mais de 250 adolescentes participantes dessa política, atendidos/as em 13 territórios de vulnerabilidade na capital.

No primeiro encontro, dedicado à discussão sobre as culturas juvenis, os/as participantes compartilharam suas impressões sobre os territórios em que atuam, destacando as violações de direitos mais presentes nesses espaços e a qualidade do acesso de adolescentes e jovens a equipamentos e serviços públicos voltados a eles/as. Também discutiram a estereotipação de características e comportamentos juvenis. Os/as educadores/as ressaltaram que vários gostos e padrões de comportamento são comuns entre as diferentes juventudes, a exemplo do consumismo, do uso de álcool e drogas e da gravidez na adolescência, embora a maioria dos estigmas recaia mais comumente sobre jovens moradores/as de periferia. As educadoras do Fórum chamaram a atenção para o fato de que é necessário repensar constantemente a própria postura profissional, que por vezes pode reproduzir e reforçar tais estereótipos, e sugeriram que os/as educadores ampliem as discussões e reflexões dos/as jovens em torno de temas que são tabus.

Na última atividade do dia, os/as orientadores/as escreveram em tarjetas palavras e expressões que, sob seu ponto de vista, caracterizam os jovens com os/as quais trabalham. Diversão, liberdades e a construção do eu foram termos recorrentes, bem como descobertas e sexualidade. Outra palavra comum foi o medo. “Os adolescentes que participam do Projovem vivenciam o medo em diferentes circunstâncias de sua vida: na escola, na rua, na família, entre outros”, apontou uma das orientadoras. Outro profissional lembrou que a escuta é uma demanda recorrente entre os/as jovens: “eles nos colocam como referência. As conversas normalmente estão relacionadas à escola, a relacionamentos, a conflitos familiares, a trabalho e a paqueras”.

Violações de direitos

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Discussões sobre racismo e violência policial marcaram o segundo encontro com os/as orientadores/as, que pautou as diferentes violações de direitos contra as juventudes. As discussões foram estimuladas pela exibição de vídeos da campanha “Eu pareço suspeito?”, do coletivo parceiro Wapi Brasil. Os/as participantes citaram também violações de direitos decorrentes da discriminação racial, como a intolerância com religiões de matriz africana, restrições ao direito de ir e vir e a falta de oportunidades profissionais. Além disso, lembraram que muitas referências importantes da cultura negra, como o samba e personagens históricos, são desconhecidas de grande parte dos/as participantes. “Um grande desafio é desnaturalizar essas situações de violações vivenciadas pelos adolescentes”, pontuou uma das coordenadoras pedagógicas do Projovem. As educadoras do Fórum também apresentaram dados sobre diferentes fenômenos associados à violência contra as juventudes, como o feminicídio, a evasão escolar e a precarização do trabalho.

Para o encerramento das atividades, os/as orientadores/as foram convidados/as a construir uma linha do tempo com os principais marcos relacionados às políticas públicas de juventude em nível nacional e local, como a criação do Conselho Municipal de Juventude (1998) e da Secretaria Nacional de Juventude (2005) e a promulgação do Estatuto da Juventude (2013). Foi destacado que todos esses avanços institucionais e normativos foram obtidos a partir de intensa mobilização popular, devendo, portanto, ser encarados como pontos de partida para a efetivação dos direitos. Além disso, destacou-se a necessidade de que os próprios jovens se envolvam com a concepção, a implementação e o monitoramento dessas políticas.

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Atuação nos territórios

O último dia da formação foi reservado à discussão dos papeis desempenhados pelos/as orientadores/as sociais no âmbito do ProJovem Adolescente, bem como do desenho institucional dessa política. Inicialmente, foi pedido que os orientadores escrevessem duas palavras que sintetizassem seus papeis como orientadores/as. A dimensão da articulação e da mediação foram referenciais recorrentes entre os participantes: “somos mediadores, ou seja, ponderamos e mediamos as situações e articulamos os diferentes atores envolvidos nessa política”, descreveu uma das participantes. Outro sentido atribuído ao trabalho foi o de (des)construção, fazendo referência ao seu papel de estimularem discussões sobre conceitos, ideias e valores que necessitam ser desnaturalizados e ressignificados.

Como encerramento geral das atividades, foi conduzido um diagnóstico participativo sobre o ProJovem Adolescente em BH, a partir da matriz FOFA (Fraquezas, Oportunidades, Forças e Ameaças). A ideia era levantar elementos positivos e negativos e também avaliar o que pode ser modificado em relação ao trabalho dos/as orientadores/as sociais e à execução da política de modo geral.

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ProJovem Adolescente

Os/as orientadores/as sociais são responsáveis pelo desenvolvimento de atividades ligadas à cidadania e aos direitos humanos junto aos/às adolescentes participantes do Programa. Os encontros acontecem nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de 13 territórios de Belo Horizonte: Apolônia, Biquinhas, Coqueiral, Confisco, Morro das Pedras, Lagoa, Pedreira Prado Lopes, Santa Rita, Vila Antena, Vila Fátima, Vila Maria, Zilah Spósito.

Um dos quatro eixos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens do Governo Federal, o Projovem Adolescente se volta ao fortalecimento da convivência familiar e comunitária e à permanência e/ou retorno desses/as adolescentes e jovens ao sistema educacional. São atendidos/as jovens com idade entre 15 e 17 anos, geralmente em situação de vulnerabilidade social e cujas famílias sejam beneficiárias do Programa Bolsa Família.

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