Fórum das Juventudes segue de perto as mobilizações em Belo Horizonte

Fórum das Juventudes segue de perto as mobilizações em Belo Horizonte

Durante toda a quarta-feira (19), vários grupos saíram às ruas de Belo Horizonte e fecharam várias ruas no centro da cidade.

Ainda continuam sendo diversas as pautas. Na terça-feira (18), no começo da noite, os manifestantes se reuniram em uma assembleia popular para decidir sobre os rumos do movimento. É importante ressaltar que as assembleias são realizadas de maneira horizontal, em espaço público, aberta a todos os que queiram construir o movimento. Uma das principais discussões até agora é a necessidade de unificar as bandeiras para que atendam às reivindicações dos diversos setores que decidiram sair às ruas na última semana.

 

Foto: Robert Oliveira. Assembleia Popular realizada no centro de Belo Horizonte no dia 17 de junho.

Foto: Robert Oliveira. Assembleia Popular realizada no centro de Belo Horizonte no dia 17 de junho.

Mas a pesar das decisões serem tomadas em coletivo, muitos grupos convocaram manifestações de maneira espontânea, como ocorreu nesta quarta. Para quinta-feira, está convocado um protesto com o foco na redução da tarifa do transporte público. Para o sábado já existem mais de 100 mil confirmações nas redes sociais para um protesto que volta a tocar em temas relacionados com a mobilidade urbana, o direito à moradia, o direito ao protesto e a prioridade dos investimentos públicos, que hoje obedecem à realização à realização dos grandes eventos esportivos no país, em detrimento dos problemas sociais, como afirmam os manifestantes.

Depois da jornada desta segunda-feira, quando a Polícia Militar aplicou a violência para impedir que cerca de 40 mil pessoas se aproximassem do Mineirão, onde ocorria o jogo entre Nigéria e Taití, as forças de segurança assumiram uma postura comedida, porém vigilante com o movimento. Já existem denúncias de policiais infiltrados nas manifestações para provocar desordem e desqualificar os protestos pacíficos.

Abaixo um pequeno resumo das reivindicações aprovadas na última assembleia popular:

– Exigir da prefeitura de Belo Horizonte a redução da tarifa do transporte “público” e a gratuidade para os estudantes.
– Auditoria dos contratos das empresas que controlam o transporte público com o objetivo de lutar pela gratuidade integral.
– Lutar para que o movimento não se dissolva mesmo que o governo atenda a algumas reivindicações.

Bandeiras de luta:
Belo Horizonte e Minas Gerais

– Além de lutar pela gratuidade integral, lutar também por melhorias no sistema de transporte: ampliação do metrô para áreas de grande necessidade e fim das privatizações desse serviço.
– Repúdio ao pedido do governador AntonioAnastasia (PSDB) e aceitação da Justiça da liminar inconstitucional que proíbe protestos de rua durante os dias dos eventos da FIFA no Estado. A decisão prevê multa milionária.
– Contra o código de postura de Belo Horizonte que legitima a ação violenta da Polícia Militar e de fiscais da prefeitura para apreender objetos de comerciantes informais e artesãos, além da perseguição contra os moradores de rua.
– Contra a ação da Polícia Militar de diminuir a segurança pública em eventos populares, como no “Duelo de MCs”
– Organização de uma “virada cultural” para integrar outras formas de resistência que já existem na cidade.

 

Cenário Nacional

– Apoio aos inúmeros moradores de ocupações, vilas e favelas que foram violentamente retiradas de seus lares para dar espaço para obras vinculadas ao desenvolvimentismo.
– Transparência direta e imediata dos recursos públicos e auditória das obras vinculadas às Copas da FIFA.
– Revogação da Lei Geral da Copa que cria ilhas de mando da FIFA onde nem mesmo uma comandante da PM tem poder – como explicado pela Cel. Claudia.
– Repúdio à violência descabida e covarde por parte das polícias militares pelo Brasil bem como o uso da inteligência da corporação para desmobilizar os manifestantes e inflamar o vandalismo.
– Repúdio a aprovação pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados do projeto de lei popularizado como Cura Gay – que cosifica como doença a orientação sexual diferente da hétero.
– Repudio a aprovação pela Comissão de Finanças na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei do Estatuto do Nascituro – que reforça o machismo e controle social sobre os corpos femininos.
– Repúdio a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 37) que retira o poder de investigação do corpo do Ministério Público – uma das últimas instâncias ainda democráticas.