Educação de Jovens e Adultos (EJA) da E. M. Prof. Mello Cançado participa da campanha “Juventudes contra Violência”

Jovens presentes no encontro são estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Jovens presentes no encontro são estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Jovens da Escola Municipal Prof. Mello Cançado, na Regional Barreiro de Belo Horizonte, participaram do último encontro formativo da campanha “Juventudes contra Violência”. A atividade ocorreu no dia 28 de novembro, quinta-feira, e reuniu vinte estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), cujas aulas acontecem no turno da noite. O objetivo dessa série de encontros é sensibilizar jovens para as diferentes manifestações da violência em seus cotidianos, além de convocá-los a atuarem como mediadores da campanha junto a suas famílias, escolas e comunidade.

Várias falas reconheceram que as juventudes são um dos segmentos mais expostos à violência. A disputa por pontos de vendas de drogas (as chamadas “bocas”) e o envolvimento de jovens com furtos e assaltos foram alguns dos problemas mencionados, associados, principalmente, à necessidade de alimentar desejos consumistas. Um dos presentes ressaltou que os meios de comunicação alimentam o estereótipo que associa diretamente adolescentes e criminalidade: “é só ligar no canal 2, no ‘Balanço Geral’, que dizem ‘menor faz isso’, ‘menor faz aquilo’”, exemplificou. Alguns participantes relataram, também, terem sido vítimas de racismo em locais como shopping centers e restaurantes.

A violência de gênero foi um dos temas mais debatidos no encontro. Embora nem sempre de forma deliberada, grande parte dos jovens reproduziu posicionamentos de cunho sexista. Muitos disseram, por exemplo, que determinadas vestimentas acabam por “assanhar” e “provocar” os homens, o que justificaria estupros, por exemplo. Uma das educadoras chamou a atenção para a necessidade de repensar esses discursos de culpabilização das vítimas, lembrando que nenhum ato de violência deve ser justificado. Uma jovem lembrou que casos de violência sexual contra mulheres não acontecem apenas entre desconhecidos, e que as estratégias de aproximação podem acontecer de forma bem mais sutil. “Se meu namorado, por exemplo, quer fazer sexo e eu não quero, e ele me obriga a isso, já é um estupro”, alertou.

A homofobia também esteve em pauta, e alguns jovens trouxeram relatos de amigos e parentes próximos que já foram alvos de discriminação devido à orientação sexual. “Precisamos questionar essas referências que nos foram passadas desde que éramos crianças. A proposta é sair um pouco de amarras mentais e espirituais e pensar nas pessoas vivendo e escolhendo seus caminhos de vida”, pontuou uma das mediadoras. Ela destacou, ainda, que é importante assegurar a liberdade de crença, mas que o caráter laico do Estado deve ser respeitado. “Ao ditar algumas questões, uma determinada religião pode estar violando direitos humanos”, observou.

Veja mais fotos do encontro em nossa página do Facebook.

A campanha
“Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas. A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum.

Em 2013, o Fórum conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.