Colégio Técnico da UFMG acolhe a campanha “Juventudes contra Violência”

Os estudantes do COLTEC vêm de diferentes bairros de BH e, também, de cidades da Região Metropolitana.

Os estudantes do COLTEC vêm de diferentes bairros de BH e, também, de cidades da Região Metropolitana.

Estudantes do Colégio Técnico da UFMG (COLTEC) participaram de mais um dos encontros formativos da campanha “Juventudes contra Violência”. Realizada na tarde do dia 8 de novembro, na sede do Colégio, a atividade reuniu vinte e um adolescentes, com idade entre 15 e 18 anos. A partir de jogos, proposições e debates, a proposta dessa série de encontros é sensibilizar jovens sobre o problema da violência, entendida pelo Fórum como negação de direitos e um grave obstáculo ao desenvolvimento da população jovem brasileira. Além disso, é apresentado aos participantes o processo de construção da campanha, convidando-os a serem seus multiplicadores junto a amigos, familiares e comunidade.

Foi consenso entre os jovens que a violência vai muito além de agressões físicas. “Relacioná-la à morte é pensar que violência só envolve contato corporal. Acho que, se alguém te olhar na rua com um olhar que te agrida, é violência também”, disse um dos participantes. Outro completou que esse “olhar agressor” é o mesmo que mata milhares de mulheres, chamando a atenção para os casos de assédio sexual que não envolvem, necessariamente, contato físico. “Não acho que esse olhar mata, mas violenta”, definiu um dos adolescentes.

Os participantes destacaram que essa forma de olhar é naturalizada e se associa, também, às diferentes manifestações do preconceito. Um dos jovens opinou: “vivemos em uma sociedade preconceituosa e violenta, e não tem como a gente se isentar disso. Preconceito é violência; um olhar é violência”. Para os adolescentes, esse olhar discriminatório pode dar margem a outras formas de violência, como aquela praticada pela polícia. “Se um policial vê um negro na rua andando, malvestido, vai pará-lo e revistá-lo, pensando que tem drogas”, exemplificou um deles. Uma das presentes relatou que um amigo negro já foi confundido com um assaltante, por estar próximo ao local do crime, e foi severamente agredido por policiais. Um dos adolescentes observou: “o policial que te dá bom dia pode ser o mesmo que mata o preto, pobre e favelado”.

Outro assunto bastante discutido foi a violência de gênero. Para os jovens, o comportamento e as vestimentas de qualquer mulher não devem justificar atos violentos. “No Oriente Médio acontecem muitos casos de estupro, mas as mulheres andam de burca”, argumentou um dos adolescentes, realçando que as origens dessa violência não estão ligadas ao tipo de roupa, por exemplo. Outro destacou que casos de violência sexual não acontecem somente entre pessoas desconhecidas, mas também entre um casal de namorados, por exemplo, à medida que algum deles se vê forçado a fazer sexo. “O corpo da mulher é muito sexualizado”, refletiu um dos participantes.

Veja outras fotos do encontro em nossa página do Facebook.

A campanha
“Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas. A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum.

Em 2013, o Fórum conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.