Campanha “Juventudes contra violência” chega à E. E. Gastão da Cunha, em Contagem

O encontro foi marcado por dinâmicas de apresentação, aquecimento e concentração.

O encontro foi marcado por dinâmicas de apresentação, aquecimento e concentração.

Violência de gênero e preconceito deram o tom de debate entre 27 estudantes da Escola Estadual Gastão da Cunha, em Contagem, na região metropolitana de BH. A atividade aconteceu na tarde da sexta-feira, 1º de novembro, e é parte da série de encontros formativos da campanha “Juventudes contra Violência”. Foram realizadas dinâmicas, jogos e proposições, que incentivaram os jovens a compartilharem suas impressões e vivências em relação ao assunto. Os participantes, que têm entre 15 e 19 anos, também foram apresentados à campanha e convocados a atuarem como multiplicadores junto a seus amigos, sua família e sua comunidade.

“Um camarada meu foi estuprado e ‘perdeu’ a infância dele”. A partir desse relato, vindo de um dos adolescentes que participaram do encontro, vários outros jovens se sentiram à vontade para compartilhar opiniões e casos ligados à violência de gênero e sexual. Enquanto alguns destacaram as consequências desse abuso para as pessoas violentadas – especialmente as mulheres –, outros reproduziram discursos ligados à culpabilização da vítima, alegando que o fato de muitas mulheres não denunciarem seus agressores justifica a repetição desses atos. “Ela deveria ter vergonha na cara e parar de ficar com a pessoa”, opinou uma das presentes.

Nesse momento, muitos dos jovens problematizaram o discurso dos próprios colegas, refletindo sobre as variáveis que podem influenciar o comportamento da vítima: “isso varia segundo cada caso. Não adianta a gente julgar a pessoa que sofre; temos que saber como ela convive com isso, o motivo por que ela está assim”, disse um dos adolescentes. Foi mencionado, também, que fatores como baixa escolaridade e ameaças envolvendo família e amigos da vítima dificultam a tomada de decisão por parte das mulheres violadas.

Outra forma de violência realçada foi o preconceito contra moradores de periferia. Uma das jovens afirmou: “existe o preconceito contra a favela. Ninguém passou fome porque quer; ninguém está na pobreza porque quer”. Alguns participantes ressaltaram que, muitas vezes, o envolvimento com a criminalidade está ligado à falta de oportunidades e às dificuldades em encontrar os meios para a própria subsistência. “Estou lendo um livro sobre a vida do Sabotage. A única maneira que ele teve para se sustentar foi o mundo do crime”, comentou uma das jovens, em referência ao rapper nacionalmente conhecido por sua intensa militância no movimento hip hop, após anos de envolvimento com o tráfico de drogas. Quando questionados se a violência poderia ser solucionada com investimentos em segurança pública, um dos adolescentes pontuou: “acho que deveriam investir mais em projetos sociais, no caso da favela e nesses lugares onde tem mais violência”.

Veja mais fotos do encontro em nossa página no Facebook.

Convivência amistosa
Localizada no bairro JK, em Contagem, a Escola Estadual Gastão da Cunha recebe estudantes de diferentes regiões da cidade. É uma das únicas do município a oferecer o ensino médio também no período da tarde, atendendo cerca de 60 estudantes nessa modalidade.

A supervisora pedagógica desse turno, Rosimeire Maia, avalia que a pequena quantidade de alunos no turno vespertino é um dos fatores que contribui para o bom relacionamento entre eles. Diferentemente do que se verifica em boa parte das escolas, ela conta que agressões e bullying, por exemplo, raramente ocorrem por lá. “Os meninos não têm medo de conversar comigo sobre as questões deles; resolvemos entre nós. Parece que eles já chegam à escola com saudades uns dos outros”, descreve. Ela também comenta que a boa relação construída entre a direção da escola e os estudantes contribui para um clima escolar mais amistoso.

A campanha
“Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas. A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum.

Em 2013, o Fórum conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.