Ato pelo fim do genocídio do povo negro

Ato pelo fim do genocídio do povo negro

Nesta quinta–feira, 22 de agosto, vários movimentos sociais, partidos e organizações da sociedade civil saíram às ruas de todo o país para alçar a voz contra o genocídio do povo negro e pobre. O ato em Belo Horizonte foi convocado pelos Grupos de Trabalho sobre a Desmilitarização e Anti-repressão Policial e Direitos Humanos da Assembleia Popular Horizontal da capital mineira.

O ato serviu também como reação ao último Mapa da Violência no Brasil, que aponta um aumento significativo da violência no país, com especial ênfase à juventude negra e pobre das periferias das grandes cidades brasileiras.

Para Miriam Alves, integrante do Coletivo de Estudantes Negros de Belo Horizonte, os dados do Mapa da Violência no Brasil só vêm a confirmar uma realidade já conhecida pelas populações das periferias. “Esses dados comprovam a presença do racismo, principalmente o racismo institucional, como a repressão policial, que colabora muito para o aumento dramático das estatísticas sobre a violência contra a juventude negra, que também representa a maioria da população pobre, das periferias, devido ao processo histórico de injustiças que vivemos no Brasil”.

Concentração para o Ato Contra o Genocídio do Povo Negro.

Concentração para o Ato Contra o Genocídio do Povo Negro.

“Nós não precisávamos de um relatório para saber que quem morre no Brasil, em sua grande maioria são jovens, pobres, negros, das periferias. É importante que esses relatórios existam e que a academia se volte para os movimentos sociais, mas a realidade está aí, e o movimento está denunciando isso há muito tempo”, completou Roberta Von Randow, psicóloga e integrante do Grupo de Trabalho de Desmilitarização e Anti-repressão Policial da Assembleia Popular Horizontal de Belo Horizonte.

Segundo Roberta, é importante começar a pensar em políticas públicas que efetivem a igualdade de direitos para as populações vulneráveis, até hoje limitadas às políticas de segurança, e excluídas de alternativas de desenvolvimento pessoal, profissional e humano. “A primeira política pública implementada no Brasil para os negros, ainda recém-libertos da escravidão, no século 19, foi a criação do aparato repressor do Estado, para criminalizar a pobreza. E o que a gente vive hoje é a mesma realidade do século 19. Ou seja, sem qualquer política voltada para a formação, a educação. O Estado só serve à essa juventude negra e pobre para vigiar e punir.”

Para os movimentos participantes do ato, o debate sobre a desmilitarização da polícia é fundamental para a redução dos alarmantes índices de violência no Brasil, mas destacam a necessidade de transformação do elemento cultural, que respalda a violência institucional no Brasil. “É importante esse processo de transformação da polícia, mas não só pela via burocrática, do próprio Estado, mas também que haja uma transformação cultural. Que deixemos de ver a violência como um padrão de relacionamento” concluiu Roberta.

Cartaz denuncia a violência institucional da polícia contra as populações de periferia.

Cartaz denuncia a violência institucional da polícia contra as populações de periferia.

O ato, que começou na Praça Sete de Setembro, no coração da capital mineira, terminou com uma caminhada até a Praça Raul Soares e com um chamado a toda a população de Belo Horizonte: “participando dos espaços de debate, como a Assembleia Popular Horizontal, nós temos acesso a esses dados que demonstram a situação da juventude negra no Brasil, mas isso não chega às periferias. A nossa luta é para sensibilizar essa juventude para que entendam que é importante participar desses espaços para construir juntos, alternativas de superação desses problemas que atingem a todos” afirmou Miriam.

Movimentos fizeram caminhada pelo centro de Belo Horizonte nesta quinta-feira, 22 de agosto.

Movimentos fizeram caminhada pelo centro de Belo Horizonte nesta quinta-feira, 22 de agosto.

O Fórum das Juventudes da Grande BH esteve presente no ato, que soma forças à Campanha Juventudes contra Violência, um trabalho que busca sensibilizar a população de Belo Horizonte e região metropolitana sobre a violação dos direitos das juventudes, com especial atenção às juventudes das periferias.