Ativistas realizam ato contra o genocídio da juventude negra no Aglomerado da Serra

Manifestantes se reuniram na Praça do Cardoso em solidariedade aos familiares de Helenilson e aos moradores do Aglomerado da Serra.

 

Em repúdio ao genocídio da juventude negra e em memória do jovem morador Helenilson Eustáquio da Silva, assassinado no dia 26 de novembro, lideranças e apoiadores do Aglomerado da Serra organizaram um ato político-cultural no dia 1º de dezembro, sábado, na Praça do Cardoso. A iniciativa teve o propósito de denunciar agressões e abusos sistematicamente sofridos pelos moradores da comunidade nos últimos anos e partiu de debates ocorridos após a ação policial truculenta que resultou na morte de Helenilson. Leia aqui a nota de repúdio divulgada pelo Fórum das Juventudes em relação ao caso.

A atividade contou com a participação de moradores locais, apoiadores da comunidade, artistas, quilombolas da Região Metropolitana de BH, moradores da Pedreira Prado Lopes, pesquisadores do Observatório da Juventude da UFMG e ativistas de organizações da sociedade civil, como o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos, o Levante Popular da Juventude, o Fórum das Juventudes da Grande BH, o Coletivo Gera Ação, as Brigadas Populares, entre outras. Os participantes enfatizaram que a execução de Helenilson está associada à maneira como a população de periferia e, nesse caso específico, a juventude negra e pobre, vêm sendo tratadas pelas forças policiais em nosso país. Repressão e política penal têm sido a tônica da atuação do Estado em relação a esse segmento.

Muitas pessoas presentes também problematizaram o papel desempenhado pela mídia convencional na divulgação do caso. Os grandes veículos de comunicação, de modo geral, produziram informações contraditórias e truncadas sobre o assunto, estimulando campanhas de difamação do jovem e de sua família. O ato serviu para dar maior visibilidade à questão da violência do Estado nas periferias e mostrar a resistência contínua dos moradores e de vários setores da sociedade, trazendo para o centro da discussão a defesa dos direitos humanos.

O Fórum das Juventudes da Grande BH apoia essa luta e se posiciona pelo fim de todas as formas de violência contra as juventudes, ressaltando que a violência não se manifesta somente por meio de agressão física ou simbólica, mas também via privação de direitos. Colocamos esse debate de forma conjunta, sabendo que somamos forças com o Aglomerado da Serra e com todas as periferias de BH e do Brasil. Reivindicamos que o Estado se apresente como garantidor da cidadania por meio de políticas públicas inclusivas, e não em seu viés repressor.