Ativistas de todo o país discutem uma plataforma política de enfrentamento à violência contra as juventudes

Encontro contou com ativistas de diferentes estados do país.

O principal objetivo da plataforma é incidir no processo eleitoral de 2014, em colaboração com diferentes grupos, movimentos e organizações com atuação no campo das juventudes e direitos humanos.

No último final de semana, mais de quarenta ativistas ligados aos direitos da juventude debateram estratégias para pautar a violência contra a população jovem nas campanhas eleitorais de 2014. Vindos/as de nove diferentes estados brasileiros, em todas as macrorregiões do país, os/as participantes levantaram os principais problemas, pautas e compromissos políticos que deverão embasar uma plataforma política de enfrentamento às violações contra jovens brasileiros/as. Também esboçaram um plano de ação para as atividades relacionadas à plataforma, de forma a atuar conjuntamente. A oficina foi realizada entre os dias 16 e 18 de maio no Recanto Santo Agostinho, em Mário Campos, cidade localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O principal objetivo da plataforma política é incidir no processo eleitoral deste ano, pautando a luta pelo fim da violência contra as juventudes junto a candidatos e candidatas às assembleias legislativas, à Câmara dos Deputados, ao Senado e aos governos estaduais e federal. A iniciativa integra os esforços da campanha Juventudes contra Violência, lançada pelo Fórum das Juventudes da Grande BH em 2013 e que tem por finalidade ampliar o debate público sobre as diferentes violações dos direitos da população jovem e criar estratégias para sua superação.

Análise de conjuntura

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A noite de sexta-feira, 16 de maio, foi dedicada a análises de conjuntura nacional e local. O professor de História da rede pública estadual de São Paulo e militante da União de Núcleos de Educação Popular para Negros/as e Classe Trabalhadora (UNEafro-Brasil), Douglas Belchior, foi responsável por conduzir a discussão em nível nacional. Ele delineou brevemente a relação histórica entre os governos e a consolidação do regime capitalista, especialmente no Brasil, e concentrou sua análise nas três últimas gestões federais, que tem à frente o Partido dos Trabalhadores (PT).

Douglas, que também é editor do blog Negrobelchior, no portal da Revista Carta Capital, afirmou que as políticas sociais ainda disfrutam de pouco espaço político e orçamentário no governo brasileiro. “Nós, dos movimentos sociais, queremos sempre discutir as chamadas ‘pequenas pautas’. Mas também precisamos nos inserir na ‘grande política’, entendendo e incidindo em assuntos como política cambial e de juros, por exemplo. É preciso ter isso em conta ao construir essa plataforma política”, destacou. Douglas lembrou que, enquanto cerca de 40% do orçamento nacional é destinado aopagamento da dívida pública, apenas 5% financia políticas sociais.

A análise de conjuntura local ficou a cargo do jornalista, coordenador do coletivo Conexão Periférica e integrante do Fórum das Juventudes da Grande BH, Bruno Vieira, que se focou na realidade da população jovem em Belo Horizonte e Região Metropolitana. O ativista apresentou dados alarmantes sobre a violência letal homicida, a partir do Mapa da Violência 2013: enquanto as outras capitais brasileiras apresentam uma queda global na taxa de homicídios, BH foi a única capital do Sudeste que experimentou um aumento nesses índices. O número absoluto de homicídios entre jovens na capital mineira subiu 21,3%, e as taxas de homicídio juvenil por 100 mil pessoas aumentou 37,7%. O ativista também chamou a atenção para outras dimensões envolvendo a violência contra as juventudes, ligadas à pressão pela redução da maioridade penal, à precarização do trabalho e a naturalização de práticas machistas, racistas e homofóbicas.

Após as exposições, os/as participantes foram convidados/as a compartilhar aspectos de suas realidades no que diz respeito ao fenômeno da violência contra a população jovem. Foram mencionados os principais problemas que, na opinião dos presentes, afetam esse segmento etário no âmbito de seus estados e municípios. Os/as presentes também comentaram as políticas públicas voltadas para o enfrentamento das violações, com destaque para a ausência e/ou deficiência em programas, serviços e equipamentos públicos.

Planejamento colaborativo

O sábado e o domingo, 17 e 18 de maio, foram reservados ao planejamento participativo da plataforma. Reunidos em grupos, os/as participantes levantaram os principais problemas relacionados à juventude que devem ser abordados no processo eleitoral, bem como as pautas prioritárias de superação da violência. Os presentes também elencaram compromissos que os/as candidatos/as deveriam assumir nesse sentido. Outro exercício coletivo foi o levantamento de ações que poderiam ser feitas para incluir essa pauta nas eleições.

Como resultado das discussões, o coletivo elencou 11 pautas prioritárias de superação da violência contra as juventudes, incluindo o enfrentamento ao genocídio dajuventude negra, o redesenho do modelo de segurança pública no país e o acesso à justiça. Os temas vão embasar o conteúdo da plataforma, que deverá ser construída em articulação com os/as ativistas presentes no encontro e com outros/as interessados/as. É um consenso entre o grupo que a plataforma não deverá se restringir ao processo eleitoral, embasando atividades de formação e mobilização ligadas ao tema. O lançamento está previsto para o início de agosto.

Se você também quer contribuir para a construção da plataforma, envie um e-mail para forumdasjuventudes@gmail.com, com o assunto “Interesse em participar da plataforma política”. Entraremos em contato com você para conversar sobre diferentes formas de participação! Em breve vamos divulgar um calendário de ações ligadas à plataforma.

Veja mais fotos sobre o evento em nossa página do Facebook.

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Quem foi

Conheça os grupos, coletivos, movimentos e redes juvenis presentes na oficina:

Articulação Nacional Juventude Viva

Associação Barraca da Amizade – Fortaleza / CE

Associação Imagem Comunitária – BH/MG

Bloco das Pretas – BH/MG

Brigadas Populares – MG, RJ e SC

Cidade Hip Hop – BH/MG

Coletivo Cabeça Ativa – BH/MG

Coletivo de Estudantes Negrxs – BH/UFMG

Coletivo Na Raça – BH/MG

Coletivo Conexão Periférica – BH/MG

Comissão Nacional de Juventude Indígena

Comunidade Dandara – BH/MG

Conselho Municipal de Políticas de Igualdade Racial – Rio Branco/AC

Escola da Serra – BH/MG

Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC) – RJ/RJ

Fórum das Juventudes da Grande BH – BH/MG

Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro – RJ/RJ

Fórum Estadual da Juventude Negra – ES

Instituto de Promoção e Desenvolvimento Social Tucum – Santa Luzia/MG

Movimento Tarifa Zero – BH/MG

Negras Ativas – BH/MG

Observatório da Juventude da UFMG – BH/MG

Observatório de Favelas – RJ/RJ

Oficina de Imagens – Comunicação e Educação – BH/MG

ONG Wapi Brasil – SP/SP

Plano Juventude Viva – Brasília/GO

Programa Ações Afirmativas da UFMG – BH/MG

Quilombo Xis – Salvador/BA

Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Comunicadores (RENAJOC)

Revista Viração – SP/SP

União de Núcleos de Educação Popular para Negros/as e Classe Trabalhadora (UNEafro-Brasil)