ADOLESCENTES DA COMUNIDADE DANDARA SOFREM VIOLÊNCIA POLICIAL

Abuso de autoridade em Minas Gerais. Repúdio à violência policial e institucional que vêm sofrendo adolescentes da comunidade Dandara.

As Brigadas Populares, por meio deste comunicado, vêm noticiar e deixar claro que amparará e protegerá os adolescentes da Comunidade Dandara contra o abuso, a violência e a discriminação perpetrada por parte da polícia ou de qualquer outro que exerça cargo de poder e se valha dele para coagi-los, desrespeitá-los e violentá-los em sua individualidade, independente de haver violência física ou não.

Jovens, moradores da Comunidade Dandara e militantes da Frente de Juventude das Brigadas Populares, vêm sofrendo uma série de abusos por parte de policiais militares que fazem ronda próximo à escola onde estudam.

Os mesmos vêm sendo acusados por policiais, sem nenhuma prova ou indício, de traficarem drogas na porta da escola, e ainda, um funcionário da escola, a mando da diretora, os acusou de tentar roubar um carro que estava parado nas imediações da mesma. Por conta disso, foram expostos e humilhados na frente dos outros estudantes. Quando disseram aos policiais que moravam na Comunidade Dandara, os policiais dirigiram a eles expressões do tipo: “estas desgraças tinham que ser da Dandara”, “cambada de invasores”, “vagabundos”. Em mais uma abordagem policial sem justificativa, questionaram novamente o fato de os adolescentes estarem circulando pela região, chegando a agredi-los fisicamente. Bateram na cabeça de um deles, passaram o braço do outro no muro chapiscado, anotaram o nome de todos eles e chegaram a ameaçá-los dizendo que da próxima vez seria pior. Em outro episódio, uma adolescente foi seguida por uma viatura da polícia da porta da escola até o ponto de encontro dos demais amigos.

Isso tudo porque são adolescentes e fazem o que todo adolescente gosta de fazer, estar em grupo de amigos na porta da escola e retornarem juntos para casa.

A instituição que deveria proteger e educar também agride e viola direitos. A diretora da escola, em que uma das militantes da Frente de Juventude e moradora da Comunidade Dandara estuda, a vem perseguindo nos espaços da escola, a inibe com perguntas constrangedoras, recolhe seus pertences e está intimidando-a. A diretora permitiu a entrada de policias na escola, os quais abordaram a referida jovem fazendo perguntas de maneira inadequada e preconceituosa, insinuando situações que a constrangeu e a intimidou.

Estas situações vêm ocorrendo repetidas vezes no mês de junho. Assim, na última quinta-feira, 13/06, os jovens denunciaram os fatos à promotoria de direitos humanos, a fim de resguardarem sua integridade física e seu direito de ir e vir.

Repudiamos a criminalização de todo e qualquer adolescente e jovem por ser pobre, negro, morador de periferia. Repudiamos a criminalização dos adolescentes moradores da Comunidade Dandara. Repudiamos a violência Institucional e o abuso policial que mancham a história deste país. Lutamos pela garantia dos direitos de todo e qualquer cidadão e por uma vida digna.

Esta perseguição é uma das manifestações de um processo mais amplo de extermínio da juventude pobre de periferia, que se reflete nos inúmeros casos de violência a que esta é submetida e que não ganham visibilidade. A publicização destes casos de agressão é um dos passos necessários para colocarmos em cheque a prática recorrente do preconceito e da violência institucionalizados, tanto na corporação policial quanto na instituição escolar, e que se tornaram naturalizados.

Diante disto, as Brigadas Populares vêm tornar públicos estes fatos a todas as entidades, organizações e pessoas que militam na causa de direitos humanos para estarem cientes do fato. Os jovens estão com medo de retaliações e de andar nas ruas, tanto fora quanto dentro da Comunidade Dandara. Os responsáveis por estas agressões devem ser responsabilizados.

Ressaltamos ainda que, as Brigadas Populares, organização política popular, não se calarão ou resignarão diante da perseguição a seus militantes, sendo que estão sendo tomadas todas as providências políticas e jurídicas para resguardar a integridade física e moral de nossos militantes, bem como as suas liberdades fundamentais.

Belo Horizonte, 19 de junho de 2013.
Frente de Juventude
Brigadas Populares
Minas Gerais

Foto: Cyro Almeida

Foto: Cyro Almeida