Santa Luzia registra casos de violência policial contra as juventudes

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6º A juventude okupa a cidade: onde a quebrada se junta, realizado em 9 de maio de 2015, na Praça da Savassi. Palmital/Santa Luzia.

Tem sido recorrentes os relatos de violência policial contra as juventudes em Santa Luzia, na Grande BH. No dia 1º de maio, jovens que circulavam pela Praça da Juventude foram os alvos da repressão. Confira o relato sobre esse episódio de Eduardo Abreu da Silva, que é diretor do Instituto Tucum​, uma das organizações que compõem o Fórum.

REPRESSÃO POLICIAL AOS JOVENS PRAÇA DA JUVENTUDE

Na sexta-feira, dia 1º de maio de 20015, um aglomerado de pessoas, em sua maioria jovens, estavam na Praça da Juventude, em Santa Luzia. Eram em torno de 300 jovens. Estávamos meu irmão, um amigo e eu em um bar em frente à referida Praça. De lá observávamos as cenas que descrevo resumidamente a seguir:
Os garotos e as garotas se aglomeravam em pequenos grupos; uns ouviam música no celular, outros andavam de skate ou de bicicleta e a maioria simplesmente conversava. Estavam também presentes policiais e guardas municipais, que observavam o movimento.

A Praça da Juventude é famosa pelo barulho das máquinas de música dos bares e do som automotivo que atormentam a vida dos moradores da região. Nesse dia, porém, era diferente. As máquinas dos bares estavam desligadas e, devido à presença dos policiais, os carros com som não estavam estacionados como em outra épocas.
Entre 21hs e 22hs, chegou o Comissariado de Menores. Fez um trabalho, ao meu ver, rotineiro: foi ao bar e conferiu a documentação de alguns clientes para se certificarem que não eram menores de idade consumindo álcool. Em seguida, os membros do Comissariado de Menores seguiram em direção à praça. Lá, abordaram alguns jovens verificando se seriam menores desacompanhados dos responsáveis e o fizeram através do documento de identidade. Percebi que, ao notarem a presença do Comissariado, alguns jovens (certamente menores de idade) começaram a deixar a praça.

Momentos depois, chegou uma carro maior da polícia. Desse veículo, desceram dois policiais. Eles seguiram em direção aos jovens na praça e, sem nenhum motivo aparente, esses jovens foram dispersos do local de forma violenta, com o uso de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Os que ficaram foram agredidos com golpes de cassetetes e também fugiram. Em seguida, os policiais partiram em perseguição ao jovens e retornaram com alguns apreendidos. Esses jovens foram agredidos física e verbalmente pelos policiais. Momentos depois, foram recolhidos em uma van da PM e levados a paradeiro que desconheço.

Paralelamente, a nuvem de gás foi trazida pelo vento em direção aos bares, afetando a todos que estavam ali e observavam perplexos aquelas cenas. Perguntei para alguns freqüentadores do local sobre o que justificaria aquela ação e uns me disseram que era para reprimir o uso de drogas; outros simplesmente não sabiam o motivo e me disseram que aquele tipo de ação da polícia era frequente no local.

Pessoalmente, acho que tal artifício (dispersar uma multidão com bala de borracha e gás lacrimogêneo) deve ser usado quando temos um caso de uma multidão violenta e sem controle. A presença de jovens circulando em uma praça e ouvindo música ou mesmo de um ou outro usuário de algum tipo de drogas não justifica esse tipo de ação.

Eduardo Abreu da Silva
Membro e Diretor do Instituto Tucum