Racismo – o que é, por que existe, para que serve

Racismo

O que é? // Por que existe? // Para que serve?

Por Amanda Reis – moradora da Ocupação Vitória, MC e integrante das Brigadas Populares de Minas Gerais e da Secretaria Executiva do Fórum das Juventudes

racismo

Charge: Matheus Ribs

Racismo é um tema bastante delicado de ser tradado, vivido ou até mesmo presenciado, e o que precisamos saber é que, tanto ser racista quanto não ser e não fazer nada quando vivemos ou presenciamos uma ação racista, colabora para que essas situações se repitam.

O racismo está presente na história da humanidade. Cidadãs e cidadãs são colocadas/os como criminosos perante ao resto da sociedade por conta dos tipos de cabelos, cor de pele, religião, entre outros, que são motivos de homicídios ou até mesmo suicídio. Pessoas, por terem as características citadas, recebem xingamentos e são agredidas tanto verbal quanto fisicamente, ou até mesmo são proibidas de frequentarem lugares. E o pior: são mortas, privadas do direito de viver apenas porque têm um jeito diferente, uma cor diferente, uma religião diferente. Isso é um absurdo, pois não há nenhuma comprovação que uma raça é melhor que a outra ou que uma pessoa é melhor que a outra.

O racismo não serve para nada, apenas para piorar o que já não está muito bom – como o mundo. Ele serve, sim, para ser descartado! Sensibilizemos as pessoas para o fato de que todas/os somos iguais e que ser racista e excluir ou criminalizar as pessoas pelo seu jeito diferente não vai melhorar o mundo. No entanto, nos amando e amando as diferenças faremos um mundo melhor, com certeza!

O racismo só existe por causa da intolerância, da falta de educação e da irresponsabilidade de pessoas que não aceitam as diversidades e não respeitam a diferença. Todas/os devemos ter ciência de que racismo é crime e deve ser denunciado, para que os racistas espalhados por todos os lados paguem pelo crime cometido.

O problema maior é a marginalização das/os negros, muito influente e muito presente no nosso cotidiano. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, isso não é um problema social e sim racial, pois é a cor e a raça que são julgadas nos olhares e formas de sermos vistas/os perante as/aos demais cidadãs/os nessa comunidade.

Basta darmos uma olhadinha nos índices de mortalidade: veremos que a grande maioria são de negras/os. Se reparamos a cor, idade e local de moradia, observamos que não é por um acaso que essas sejam as vítimas, e que racismo acompanhado de preconceito e extermínio caminham juntos em um objetivo: acabar com a juventude negra.

A escola, que deveria ser um dos pilares para sensibilização das pessoas, só se lembra de falar sobre raça, preconceito e racismo na semana da consciência negra. Lá, aproveitam uma semana, apenas 7 dias em 365, para falar de respeito e que somos iguais. Mas, quando há apelidos como “neguinho(a)” ou “cabelinho duro”, não tomam providência. O preconceito começa na escola e é nesse local que se inicia a falta de educação e a falta de sensibilidade sobre esse tema. Sem contar que a mídia também é um dos transmissores do racismo: quando negro morreu na favela ou no aglomerado, já é tido como suspeito e apresentado pelo apelido e não pelo nome, mesmo que não tenha passagem pela polícia. Do outro lado, um branco morre, até mesmo no meio da rua, e tem nome, sobrenome, tem família que ganha um espaço para falar da indignação e do sofrimento. Negros não têm essa oportunidade!

É só pararmos e refletirmos que veremos que não é tão difícil ver que o racismo tem tomado conta. Por isso, vamos ser contra esse ato imoral!