Hugo Silva: mais um jovem condenado à morte pela PM de Minas Gerais

Hugo Silva: mais um jovem condenado à morte pela PM de Minas Gerais

No dia 14 de Setembro de 2015 a Polícia Militar de Minas Gerais, em um ato de covardia e abuso de poder, assassinou mais um adolescente em Belo Horizonte. Hugo Vinicius Braz da Silva, de 14 anos, conversava com um grupo de amigos no Bairro Pompéia quando policiais militares chegaram e, sem qualquer diálogo ou abordagem, iniciaram os disparos em direção aos jovens.

A cena foi presenciada por testemunhas, que depuseram contra a versão dos policiais. Como de praxe, a “versão oficial” da Polícia Militar tenta incriminar o adolescente, culpabilizando-o pela própria morte ao afirmar que Hugo “sacou uma arma de fogo e ameaçou os policiais”. Na realidade, de acordo com as testemunhas, Hugo tentava fugir dos tiros e “chegou a se esconder atrás de um caminhão”, quando foi atingido pelas costas.

Hugo é mais um jovem brasileiro acusado, julgado, condenado à pena de morte e executado pelo Tribunal de Exceção da Polícia Militar de nosso país.  

Para acobertar o brutal assassinato, os PMs deram continuidade a várias ações ilegais:

  • Hugo deu entrada no Pronto Socorro do Hospital João XXIII por volta das 23:30h, contradizendo o Boletim de Ocorrência, no qual consta que a “troca de tiros” ocorreu por volta de 3:30h.
  • Uma das testemunhas, outro adolescente de 17 anos, foi levado primeiro a uma delegacia da Policia  Militar em vez de ser conduzido até o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional.
  • Além de ter sido conduzido ilegalmente para uma delegacia, o adolescente foi intimidado com a finalidade de mentir em seu depoimento.
  • Como a testemunha não mentiu o seu depoimento foi desconsiderado, pois o adolescente não “tinha provas do ocorrido”.

Não é raro as Polícias Militar e Civil justificarem sua prática genocida através dos “autos de resistência”. Em quatro anos (2009 a 2013) as Polícias Militar e Civil mataram 11.197 pessoas no Brasil! Ou seja, a partir dos dados oficiais a polícia matou cerca 8 pessoas por dia.

Neste contexto não podemos deixar de lembrar de outros dois casos recentes (abril e novembro de 2014) de homicídio e tentativa de homicídio protagonizados pela PM em Belo Horizonte: Luan, jovem portador de sofrimento mental, residente na regional Norte recebeu dos policiais militares um tiro no peito enquanto brincava com uma arma de brinquedo próximo à sua casa. Luan ficou com graves sequelas; Alexsandro de Sousa, conhecido como Leco, morador da Vila Calafate foi assassinado por policiais militares com um tiro na cabeça, após tentar intervir na apreensão ilegal do seu filho.

Os dados oficiais não fazem um recorte das áreas territoriais em que os homicídios ocorreram, mas os casos apontam que não existe “auto de resistência” ou “tiro acidental” em áreas nobres da cidade. Ou seja, o genocídio da juventude protagonizado pela Polícia tem endereço certo: áreas periféricas com grande concentração da população negra!

Não esqueceremos também de acrescentar na conta do Estado os dados extraoficiais, como no caso do adolescente Mateus de Souza Lopes que desapareceu em 2012 no bairro Pedreira Prado Lopes, onde morava, após ação policial no local. Três anos se passaram e a família do adolescente não teve nem mesmo acesso a seu corpo para poder enterrá-lo!

Frisamos que não se trata de uma “conduta isolada” de alguns “maus policiais”, mas uma praxis corriqueira do braço armado do Estado brasileiro, que tem a polícia que mais mata no mundo! Até mesmo a ONU já recomendou o fim da Polícia Militar no país, instituição que, por óbvio, não condiz com um Estado, em tese, democrático de direito.

Nos solidarizamos com as vítimas, seus familiares e amigos e nos colocamos lado a lado para lutar por suas revindicações. A morte do adolescente Hugo Vinicius Braz da Silva nos provoca profunda revolta e repúdio com o modelo de segurança pública adotado pelo Estado de Minas Gerais que hoje está a serviço do capital exterminando a juventude pobre, negra de periferia!

 Não aceitamos que a morte desse jovem seja silenciada e que o Estado não seja responsabilizado!

Exigimos que os crimes cometidos contra Hugo, Luan, Leco e Matheus sejam investigados e não aceitamos que a morte do adolescente Hugo seja silenciada como em outros tantos casos!

 

Basta de Extermínio da Juventude Negra!

Basta de criminalização da pobreza!

Pelo fim da Policia Militar!

 

Por um Brasil onde caibam todas e todos!

 

Assinam esta nota:

Brigadas Populares de Minas Gerais

Círculo Socioeducativo das Brigadas Populares

Frente Mineira Sobre Drogas e Direitos Humanos

Fórum das Juventudes da Grande BH

Núcleo de Assessoria Jurídica Popular de Ribeirão Preto (NAJURP-FDRP/USP)

Marcha da Maconha Belo Horizonte

Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia

hugo silva