Centro de Referência da Juventude de BH é inaugurado a portas fechadas

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Foi com muito espanto e surpresa que recebemos, nesta manhã, notícia sobre a inauguração das obras do Centro de Referência da Juventude (CRJ), na Praça da Estação. Segundo o texto, o CRJ foi “inaugurado” no último dia 15, segunda-feira, como parte das comemorações dos 117 anos de BeloHorizonte. Na cerimônia, estavam presentes o ex-governador e senador eleito por Minas Gerais, Antônio Anastasia; o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda; o atual governador Alberto Pinto Coelho; e o subsecretário de estado da juventude, Gabriel Azevedo, quem noticiou o evento em sua fanpage. Não sabemos se houve a participação de representantes juvenis nesse evento.

Segundo a postagem feita por Gabriel Azevedo, o objetivo do encontro era repassar a responsabilidade do CRJ à Prefeitura de Belo Horizonte: “agora, esse equipamento público erguido com recursos e esforços do governo estadual passa a ser responsabilidade do governo municipal”, relata o subsecretário. No entanto, a Coordenadoria de Juventude da PBH, órgão responsável pelas políticas de juventude na capital e parceira na construção do CRJ, NADA noticiou a respeito dessa transferência de responsabilidades até o fechamento desta nota.

O Fórum das Juventudes da Grande BH acompanha esta novela desde 2011, quando foi divulgada sua construção. Desde o anúncio do projeto, protagonizamos importantes episódios de embate com o poder público municipal. Nossas principais críticas a esse processo se baseavam – e continuam baseadas – na ausência de uma participação social efetiva e de um projeto conceitual que oriente a construção desse equipamento público, além de uma total falta de clareza em relação aos papeis dos governos estadual e municipal na construção e gestão do Centro.

Em março de 2014, acompanhamos uma visita do Conselho Municipal de Juventude (COJUVE) às obras do CRJ. À época, percebemos que, embora a construção do prédio estivesse adiantada, ainda não havia clareza sobre as formas de gestão e os projetos a serem abrigados ali – especulou-se que programas como Chefs do Amanhã, de responsabilidade do Governo do Estado, seriam executados no local. Segundo repasse do atual gerente do Centro de Referência da Juventude, Adriano Faria, durante reunião ordinária do COJUVE em 20 de novembro, itens como a ligação da energia elétrica e as licitações para compras de mobiliário e equipamentos ainda dependem da gestão estadual.

Não bastassem todos esses problemas, a construção do CRJ passou literalmente por cima de outra política de atendimento infanto-juvenil na cidade: o Espaço Miguilim, que acolhia crianças e adolescentes em situação de rua, foi removido do local para dar lugar ao o prédio do Centro, na Praça da Estação. Após meses fechado e depois de muitas reivindicações por parte de um grupo de coletivos ligados à causa, o Espaço está funcionando provisoriamente em uma casa no bairro Floresta.

Repudiamos, mais uma vez, a falta de um diálogo democrático entre a gestão estadual e municipal e grupos juvenis de BH e região metropolitana.

Foto: Divulgação